Artigos
Conteúdo informativo e educativo em endocrinologia, por Dr. Márcio Gester (CRM-PA 14727 · RQE 9424).
ObesidadeMetabolismo13/10/2026A caneta de emagrecimento faz bem para o coração, o fígado, o rim e o sono? O que já tem estudo e o que ainda é promessa
Os benefícios da semaglutida e da tirzepatida além do peso foram medidos em pessoas que já tinham a doença, e cada estudo testou 1 remédio. Com semaglutida, infarto, derrame ou morte cardiovascular ocorreram em 65 de cada 1.000 pessoas com doença do coração, contra 80 de cada 1.000 com placebo. Na apneia do sono, a tirzepatida reduziu os episódios de pausa ou redução da respiração em 25 por hora, contra 5 com placebo, em quem não usava aparelho para dormir. No fígado, a esteato-hepatite, que é a gordura com inflamação, se resolveu na biópsia em 63% das pessoas com semaglutida e em 34% das pessoas com placebo. No rim, o estudo foi feito em pessoas com diabetes tipo 2. No Alzheimer inicial, a semaglutida por via oral não retardou a piora da doença, e na endometriose a ideia ainda não foi testada como tratamento em pacientes.
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Viralizou: o que a evidência dizDiabetesMetabolismo13/10/2026Viralizou: brócolis junto com o arroz faz a glicose subir menos?
Ainda sem resposta para o prato misturado. Os estudos citados testaram a verdura antes do carboidrato. Numa revisão de 18 estudos, a glicose ficou, em média, 22 mg/dL mais baixa 30 minutos depois da refeição e 9 mg/dL mais baixa aos 60 minutos, e aos 120 minutos ficou 4 mg/dL mais alta. Os autores classificam a certeza dessa evidência como muito baixa.
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Menopausa12/10/2026Dor nas articulações, palpitação e pele seca na menopausa: o que é do hormônio e o que merece outra investigação
Dor muscular ou articular aparece em 40% das mulheres antes da transição para a menopausa, em 57% durante e em 59% depois. A reposição hormonal alivia essa dor de forma modesta: 47 de cada 100 mulheres melhoraram com hormônio e 38 de cada 100 com placebo. A palpitação dessa fase acompanha as ondas de calor e a ansiedade e não se associou a sinais precoces de doença nas artérias, mas pede ao menos um eletrocardiograma. A pele perde de 1% a 2% de colágeno ao ano, e a reposição não tem indicação só por causa dela. Articulação inchada, quente ou vermelha e palpitação com desmaio ou dor no peito pedem investigação própria.
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Viralizou: o que a evidência dizGordura no fígadoMetabolismo12/10/2026Viralizou: refrigerante e suco de caixinha causam gordura no fígado?
Em parte. Quem mais consome frutose vinda de bebida adoçada com açúcar, como o refrigerante, tem 9% mais gordura no fígado do que quem menos consome, e a frutose da fruta inteira não mostrou essa ligação. Em adolescentes com gordura no fígado, 8 semanas de dieta com muito pouco açúcar livre baixaram a gordura de 25% para 17%. Nos estudos que trocaram frutose por outro carboidrato sem mudar as calorias, a gordura do fígado não mudou: o que parece pesar é o excesso.
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ObesidadeMetabolismo11/10/2026Enjoo, intestino preso e dor na barriga com a caneta de emagrecimento: o que é esperado e o que pede avaliação no mesmo dia
Enjoo, vômito, diarreia e intestino preso são os efeitos mais comuns das canetas de emagrecimento, quase sempre leves a moderados e concentrados na fase de aumento da dose. Nos estudos com semaglutida, o enjoo durou 8 dias em média e o intestino preso, 47. Passar mal não é sinal de que o remédio funciona: quem não sentiu nada emagreceu o mesmo. Três situações pedem avaliação médica no mesmo dia: dor forte e contínua na barriga que vai para as costas, vômito ou diarreia que não deixam repor líquido, e vários dias sem evacuar com barriga estufada, dor e vômito.
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ObesidadeMetabolismo11/10/2026Jejum de 16 horas: autofagia, cetona e queima de gordura, o que acontece de verdade no corpo
A autofagia foi descoberta em levedura e aparece com força em animais. Em pessoas, os estudos que procuraram por ela depois de 12 a 36 horas de jejum não a encontraram no músculo, e o sinal no sangue surgiu depois de 4 dias sem comer ou de 6 meses de jejum intermitente, numa análise exploratória. A cetona de quem faz 16 horas fica na faixa do dia a dia, e 3 semanas de cetose não mudaram atenção nem memória em adultos saudáveis. O que se come para quebrar o jejum muda o combustível da hora, e não a gordura perdida. Quem usa insulina, sulfonilureia ou gliflozina tem risco próprio com jejum longo.
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DiabetesMetabolismo08/10/2026Pré-diabetes: o que muda no prato, e por que cortar o doce não resolve sozinho
No pré-diabetes, os estudos que evitaram o diabetes não testaram só a retirada do doce: testaram um conjunto de perda de peso, menos gordura, mais fibra e atividade física, que reduziu o risco em 58%. A perda de peso foi a peça que mais contou, a fibra entre 25 e 30 g por dia tem recomendação da diretriz brasileira, e o açúcar que mais pesa é o que vem no copo, em refrigerante e suco. Chia não mexeu na glicose nos ensaios, a linhaça mexeu pouco e o psyllium teve efeito modesto em quem tem pré-diabetes.
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Saúde masculina04/10/2026Dá para subir a testosterona sem tomar hormônio? Peso, sono, suplemento e clomifeno
Quando a testosterona cai por causa do peso, do sono ou de algum remédio, tratar a causa costuma subir o hormônio: perder peso é o que tem mais evidência, e a testosterona sobe cerca de 83 ng/dL com a dieta e cerca de 252 ng/dL com a cirurgia bariátrica. Os suplementos vendidos como 'booster' quase nunca aumentam o hormônio nos estudos, e uma parte desses produtos traz substâncias que não estão no rótulo. O clomifeno faz o próprio corpo produzir mais testosterona e preserva a fertilidade, mas no homem é uso fora de bula e só entra depois da investigação da causa.
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Viralizou: o que a evidência dizDiabetesMetabolismo03/10/2026Viralizou: vinagre baixa a glicose de quem tem diabetes?
Circula nas redes que tomar vinagre todo dia baixa a glicose de quem tem diabetes. Nos estudos, o vinagre baixou a glicose de jejum de quem tem diabetes tipo 2 e diminuiu a subida da glicose logo depois da refeição, mas não mudou a hemoglobina glicada, a medida que conta para o controle, e a maioria dos estudos tem qualidade baixa. Ele não substitui remédio e, tomado todo dia, pode desgastar os dentes.
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Menopausa02/10/2026Chip da beleza: o que as sociedades médicas pedem à Anvisa e o que fazer se você já usa
Doze entidades médicas, com a SBEM e a FEBRASGO, pediram à Anvisa a proibição dos implantes hormonais manipulados, o chamado chip da beleza. O motivo é medido: num estudo com 539 mulheres, quem usava implante teve mais efeito colateral, mais sangramento e níveis de testosterona muito acima da faixa feminina. Quem já tem o implante não precisa entrar em pânico, mas precisa de avaliação, exame e um plano.
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Osso01/10/2026O que comer para o osso, além do cálcio: proteína, leite, vitamina K e magnésio
Depois do cálcio e da vitamina D, o nutriente com mais estudos sobre o osso é a proteína: comer o suficiente se associa a menos fratura de quadril em idosos, e não existe prova de que proteína 'acidifique' e tire cálcio do osso. Iogurte se associa a menos fratura, o leite tem resultado neutro, e vitamina K e magnésio em cápsula não provaram reduzir fratura. O padrão alimentar inteiro pesa mais do que qualquer alimento isolado.
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Tireoide29/09/2026Câncer de tireoide descoberto cedo: precisa tirar a tireoide inteira e fazer iodo?
O carcinoma papilífero é o câncer de tireoide mais comum e, descoberto cedo, costuma ter prognóstico excelente. A diretriz americana de 2025 passou a indicar a retirada de só metade da glândula nos tumores de até 2 cm sem sinais de agressividade, e dois ensaios mostraram que o iodo radioativo pode ser dispensado no câncer de baixo risco. Explico o que mudou, o que cada caminho custa e poupa, e como a escolha é feita.
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DiabetesMetabolismo29/09/2026Quem tem diabetes pode comer fruta? Quais, quanto e o que muda de verdade na glicose
Fruta inteira não piora o diabetes tipo 2. Nos ensaios que testaram isso, comer mais fruta baixou a glicemia de jejum e, em alguns, a hemoglobina glicada, e quem come mais fruta morre menos e tem menos complicações. O que muda a glicose é a forma (suco e açaí com xarope não são fruta), a quantidade por vez e o tipo. Explico quais frutas do dia a dia pesam mais, quanto é uma porção e como eu decido isso na consulta.
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Diabetes29/09/2026Insulina semanal com semaglutida na mesma caneta: a Anvisa aprovou. Para quem serve?
A Anvisa aprovou em 28/09/2026 a primeira caneta que junta uma insulina basal semanal, a icodeca, e a semaglutida numa aplicação por semana, para adultos com diabetes tipo 2 que não chegaram à meta com insulina basal ou com remédio da classe da semaglutida. Explico o que os estudos mostraram, o que ela custa em peso e em enjoo, para quem a bula brasileira indica e como pensar a troca.
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ObesidadeDiabetes28/09/2026Caneta para emagrecer e perda de visão: o que a investigação da Anvisa muda para quem usa
A Anvisa investiga 13 notificações de neuropatia óptica isquêmica, uma perda súbita de visão por falta de circulação no nervo do olho, em pessoas que usavam canetas para diabetes e obesidade: 12 com semaglutida e 1 com tirzepatida. Explico o que os estudos mostram sobre esse risco, por que ele é real mas raro, quem parece mais exposto, o que fazer se a visão cair de repente e quando faz sentido continuar ou parar a caneta.
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Diabetes27/09/2026Insulina semanal: já existe no Brasil, e quem pode trocar a diária?
A FDA (Food and Drug Administration), agência reguladora dos Estados Unidos, aprovou em 24/09/2026 a efsitora, segunda insulina basal de aplicação semanal, só para diabetes tipo 2. No Brasil, a icodeca está registrada pela Anvisa desde março de 2025, para tipo 1 e tipo 2, mas em março de 2026 a fabricante ainda não tinha data para lançá-la. Explico o que os estudos mostraram, por que no diabetes tipo 2 a troca é segura e no tipo 1 ela pede cautela, como a troca é feita e para quem uma aplicação por semana faz mais diferença.
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DiabetesMetabolismo25/09/2026Tenho diabetes e quero engravidar: o que fazer antes, segundo a nova diretriz
A Sociedade Brasileira de Diabetes atualizou em 2026 a orientação para mulheres com diabetes que pensam em engravidar: com a hemoglobina glicada acima de 9%, a recomendação é adiar a gravidez e usar anticoncepção até o controle melhorar. Explico por que a glicada do início da gestação pesa tanto no risco de malformação, qual meta as diretrizes pedem, quais remédios mudam antes, inclusive as canetas de emagrecer, e o que entra na preparação.
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OssoTireoide24/09/2026Hipoparatireoidismo: o novo remédio aprovado pela Anvisa é para quem?
A Anvisa registrou em setembro de 2026 a palopegteriparatida, primeira reposição do hormônio da paratireoide aprovada no Brasil para o hipoparatireoidismo crônico, a doença que costuma aparecer depois da cirurgia de tireoide. Nos estudos, quase todos os participantes largaram o cálcio em alta dose e a vitamina D ativa, e o cálcio da urina caiu para perto da metade. Explico por que o tratamento com comprimidos pesa no rim, o que o remédio novo mostrou e o que ainda não mostrou, para quem as recomendações o reservam e por que ele só deve chegar às farmácias em 2027.
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Osso23/09/2026Suplemento de cálcio: quem precisa tomar e quem pode parar
Uma revisão publicada em 2026 juntou 69 estudos e mais de 150 mil pessoas e concluiu que cálcio e vitamina D em cápsula, dados a quem vive em casa e não trata osteoporose, previnem pouco ou nada de fratura. Isso não quer dizer que o cálcio deixou de importar: quer dizer que ele deve vir primeiro da comida, e que a cápsula tem lugar certo. Explico quem continua precisando dela, quanto cálcio o corpo pede, quanto o brasileiro come de fato e o que o comprimido pode causar.
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ObesidadeDiabetes22/09/2026Tirzepatida do Paraguai: por que a Anvisa proibiu até para uso pessoal
Em 16 de setembro a Anvisa proibiu a importação, o transporte e o uso da caneta T36, uma tirzepatida fabricada no Paraguai, o que alcança quem traz a caneta para uso próprio. A caneta tem registro no Paraguai e não tem no Brasil, e o teste feito aqui que veio a público mostrou que ela contém tirzepatida, sem medir contaminação, esterilidade nem se ela age no corpo como a registrada. Explico o que os estudos com canetas vendidas fora da cadeia regulada encontraram, por que achar a molécula no frasco não responde a pergunta que importa, e o que fazer se você já usa uma dessas.
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ObesidadeMetabolismo21/09/2026Caneta de emagrecimento e perda de músculo: o que os estudos mostram e o que muda o resultado
Quem está usando caneta de emagrecimento ouve que ela derrete músculo. Os estudos que mediram isso com densitometria mostram, na média, que entre 25% e 35% do peso perdido é massa magra, proporção parecida com a de quem emagrece com placebo ou só com mudança de estilo de vida. Entre um ensaio e outro a variação é grande, e o texto mostra o tamanho dela. Ou seja, o fenômeno é do emagrecimento, não do medicamento. Explico o que os números mostram, por que massa magra não é a mesma coisa que músculo, e o que mudou a proporção nos estudos: treino de força.
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ObesidadeMetabolismo19/09/2026Caneta emagrecedora no SUS: o que foi anunciado e o que ainda não existe
O ministro da Saúde anunciou que o SUS vai ofertar canetas emagrecedoras, e a manchete saiu em todo lugar. O documento que está valendo hoje, porém, é uma portaria de setembro de 2025 que decidiu o contrário. Explico o que existe de fato neste momento, por que a conta mudou em 1 ano, o que a semaglutida entrega em perda de peso e em proteção do coração, quanto do peso volta quando o tratamento para, e o que a notícia muda, ou não muda, para quem já tem motivo para tratar.
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Diabetes16/09/2026Tenho diabetes e enxergo bem: preciso mesmo ir ao oftalmologista todo ano?
Na maioria dos casos, sim, e enxergar bem não dispensa o exame: a retinopatia diabética costuma não dar sintoma até estar avançada, e o tratamento funciona melhor quando ela é achada cedo. Explico quando fazer o primeiro exame no diabetes tipo 1 e no tipo 2, por que a diretriz brasileira mantém o intervalo anual enquanto a americana aceita espaçar para 2 anos em quem está bem, que exame é esse (não é o de trocar os óculos), o que muda na gravidez e o que as canetas de semaglutida têm a ver com a retina e com o nervo óptico.
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Tireoide15/09/2026Tenho Hashimoto e a tireoide está normal: preciso tratar?
Ter anticorpo contra a tireoide com o TSH normal é comum e, na maioria das pessoas, não pede remédio: pede acompanhar o TSH. Explico com que velocidade a tireoide costuma perder função, por que a levotiroxina não entra enquanto os hormônios estão normais, o que o selênio muda no exame e o que ele não mostrou mudar, por que a dieta sem glúten não é regra para todos e quais exames realmente fazem parte do acompanhamento.
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ObesidadeInfertilidade14/09/2026Tomei a caneta e engravidei: a tirzepatida corta o efeito da pílula?
A tirzepatida (Mounjaro) pode reduzir a absorção da pílula anticoncepcional nas semanas em que o tratamento começa e a cada aumento de dose, e a bula brasileira recomenda trocar de método ou somar camisinha por 4 semanas nesses momentos. A semaglutida não tem essa recomendação. Explico o que o estudo mediu, por que a perda de peso também devolve a fertilidade, quanto tempo antes de engravidar cada caneta deve ser suspensa e o que fazer quando a gravidez acontece durante o tratamento.
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ObesidadeDiabetes13/09/2026Anvisa proibiu o 'Ozempic natural': o que a berberina faz de verdade
A Anvisa determinou a apreensão dos produtos à base de berberina vendidos como 'Ozempic natural' que não têm regularização sanitária. A decisão não diz que a substância é perigosa nem que ela é inútil: ela diz que aqueles produtos não passaram por nenhuma avaliação. Explico o que os estudos mostram sobre peso, glicose e colesterol, por que o apelido de Ozempic natural não se sustenta na comparação de magnitude, e o risco que quase ninguém menciona, que é a interação com remédios de uso contínuo.
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MenopausaInfertilidade12/09/2026Congelar tecido do ovário adia a menopausa? O que o CFM disse e o que os estudos mostram
O Conselho Federal de Medicina publicou um alerta dizendo que congelar e depois transplantar tecido do próprio ovário não adia a menopausa natural, e que o uso com essa finalidade não está estabelecido na prática clínica. A promessa que circula, de adiar a menopausa em 10 ou 20 anos, vem de modelos matemáticos, não de mulheres acompanhadas ao longo do tempo. Explico de onde saem esses números, por que um modelo publicado este ano chegou a uma conclusão oposta, quanto tempo o tecido transplantado realmente funciona e para quem o congelamento de ovário tem indicação de verdade hoje.
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MenopausaMetabolismoObesidade08/09/2026A barriga mudou na menopausa e a balança não mexeu. Por que isso acontece?
A queixa é sempre a mesma: o peso é o de sempre, mas a roupa não serve mais na cintura. Não é impressão. Na menopausa a gordura muda de endereço, e essa mudança tem data: a gordura visceral, a de dentro do abdome, começa a subir na transição e cresce cerca de 6% ao ano, enquanto a cintura medida com fita cresce quase igual antes, durante e depois. Explico por que o estrogênio decide onde a gordura fica, por que a balança é um péssimo marcador aqui, o que a reposição hormonal faz e não faz com essa barriga, e qual exercício tem efeito medido.
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DiabetesMetabolismo07/09/2026Caminhar depois de comer baixa o pico de glicose? O que os estudos mostram
Circulou que caminhar de 2 a 5 minutos depois da refeição derruba o pico de glicose. A direção está certa e é das poucas orientações de estilo de vida com efeito medido de imediato: caminhada leve reduziu a glicose depois da refeição em cerca de 17% na média dos estudos, e ficar apenas em pé rendeu bem menos. Explico de onde vem esse número, por que o horário importa mais do que a duração, de quanto em quanto tempo vale levantar, e o que esses estudos ainda não provaram.
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ObesidadeMetabolismo06/09/2026Parei a caneta e o peso voltou: por que isso acontece
Quando a caneta é suspensa, boa parte do peso perdido volta, e isso está medido: cerca de dois terços em 1 ano nos estudos com semaglutida. Não é falta de disciplina, é o corpo defendendo o peso antigo com fome maior e gasto de energia menor. Explico o que a evidência mostra sobre continuar, reduzir a dose ou parar, o que o exercício consegue de verdade, e a pergunta que vale fazer antes de começar.
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Osso05/09/2026Café enfraquece os ossos? O que os estudos mostram
Saiu na imprensa que o excesso de café enfraquece os ossos de mulheres idosas. A ideia vem de um estudo de 1994, e a parte que a manchete corta é a mais importante: nas mulheres que tomavam leite, a densidade óssea não mudou nada com o café. Explico o que os estudos maiores mostraram depois, quanto cálcio uma xícara realmente custa, a partir de que quantidade a cafeína começa a pesar, e por que no Brasil o problema quase nunca é o café.
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Menopausa03/09/2026Névoa mental na menopausa: o hormônio resolve?
Esquecimento e dificuldade de concentração estão entre as queixas comuns da transição da menopausa, e elas são reais. Nos testes, o que some na transição é o ganho que a repetição costuma trazer, e ele reaparece depois da última menstruação, sem queda das notas. Os estudos com sorteio não encontraram ganho cognitivo com terapia hormonal. Começar hormônio depois dos 65 anos aumentou casos de demência. O consenso brasileiro não lista cognição entre as indicações.
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OssoMetabolismo02/09/2026Pele mais escura precisa de mais sol e mais vitamina D?
A melanina reduz de verdade a produção de vitamina D na pele, e quem tem pele mais escura chega a exames mais baixos com o mesmo sol. O que quase não se conta é a outra metade: a proteína que carrega a vitamina no sangue também é menor, a fração ativa acaba parecida, a densidade óssea é maior e a fratura é menos frequente. O risco maior aqui não é ficar sem sol, é ser tratado por um número calibrado em outra população.
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ObesidadeMetabolismo31/08/2026Caneta de emagrecimento faz o cabelo cair? O que os estudos mostram e o que fazer
A queda de cabelo com as canetas de emagrecimento existe, está na bula brasileira e é bem menos comum do que a repercussão sugere. Ela acompanha a velocidade da perda de peso e a carência nutricional que vem junto, não uma agressão do remédio ao fio, começa cerca de 3 meses depois do gatilho e se resolve na maioria das pessoas, inclusive em quem continua o tratamento. A parte que se corrige é a nutricional, e é por ela que eu começo.
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DiabetesMetabolismo30/08/2026Relógio que mede glicose sem furar o dedo: por que a Anvisa diz que nenhum é autorizado
A Anvisa voltou a dizer nesta semana que não existe relógio nem anel inteligente autorizado no Brasil para medir glicose sem furar a pele. Não é burocracia atrasada: a tecnologia ainda não alcança a precisão que uma decisão de dose exige, e um número errado no pulso pode virar uma aplicação de insulina errada. Vale separar três aparelhos que costumam ser confundidos, porque só um deles não funciona.
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DiabetesObesidadeMetabolismo29/08/2026Caneta de emagrecimento protege o coração? O que o estudo da tirzepatida realmente mostrou
A agência americana aprovou nesta sexta a tirzepatida (Mounjaro) para reduzir risco de infarto e derrame em adultos com diabetes tipo 2. O estudo que sustenta a decisão comparou a tirzepatida com outra caneta que já protegia o coração, e não com placebo. Nessa comparação ela empatou por cima, sem que a vantagem chegasse a se firmar. É uma notícia boa e mais estreita do que a manchete sugere, e no Brasil a bula ainda não mudou.
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DiabetesMetabolismo28/08/2026Diabetes tipo 5: por que existe um diabetes de quem é magro, e o que o Brasil vai começar a procurar
Existe uma forma de diabetes que aparece em pessoas jovens e muito magras, que não é autoimune como o tipo 1 e não tem resistência à insulina como o tipo 2. Ela ganhou o nome de tipo 5 em 2025 e o Brasil anunciou nesta semana que vai começar a procurá-la, a partir do Norte e do Nordeste. O que está em jogo não é uma doença nova: é gente que já tem diabetes e carrega o rótulo errado.
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Endocrinologia pediátricaObesidadeMetabolismo27/08/2026Caneta de emagrecimento em adolescente: quem pode usar e o que ainda não se sabe
A Sociedade Brasileira de Pediatria publicou em agosto um documento sobre o uso de canetas emagrecedoras antes dos 18 anos, e a pergunta chegou junto ao consultório. As três canetas que o documento cita não valem a mesma coisa para um menor de idade: duas têm indicação a partir dos 12 anos, com critérios estreitos, e a terceira só entra na adolescência para diabetes, não para peso. E a evidência que existe olhou por pouco tempo.
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Menopausa26/08/2026Fogacho sem hormônio: o que funciona, o que não funciona e o que mudou no Brasil este ano
Metade das mulheres que me procuram por causa de ondas de calor não quer ou não pode tomar hormônio, e a pergunta seguinte é sempre a mesma: o que sobra. Sobra bastante, com efeito menor que o do hormônio e muito maior que o do suplemento que se vende para isso. Em junho de 2026 a Anvisa aprovou o primeiro remédio não hormonal criado para esse problema.
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Menopausa25/08/2026Libido na menopausa: por que a resposta quase nunca começa pela testosterona
Perda de desejo na menopausa costuma chegar ao consultório como um problema só, e quase sempre são dois: o desejo que diminuiu e a relação que passou a doer. Separar os dois muda o tratamento, e a testosterona, que virou sinônimo do assunto, é a última peça da conversa, não a primeira.
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DiabetesMetabolismo24/08/2026Manchas escuras no pescoço: não é sujeira, é um sinal que pede exame de sangue
A mancha aveludada e escurecida no pescoço, nas axilas e nas dobras tem nome, acantose nigricans, e esfregar não resolve: a cor vem da pele mais grossa respondendo à insulina alta. No Brasil ela é critério formal para pedir o exame de rastreamento de diabetes.
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DiabetesMetabolismo23/08/2026Sensor de glicose no braço: quem precisa de um (e quem não ganha nada)
O sensor de glicose no braço tem indicação forte no diabetes tipo 1 e no tipo 2 tratado com insulina. Fora disso a evidência é fraca, e em quem não tem diabetes ela praticamente não existe. O que o aparelho mede, por que ele discorda do exame de sangue e como decidir.
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Saúde masculina22/08/2026Testosterona para ganhar músculo: o que ela faz com o coração
O uso de testosterona e de anabolizantes por homens jovens e saudáveis, para estética e desempenho, voltou ao noticiário pelo lado cardiovascular. Explico por que repor um hormônio que falta e turbinar um hormônio que não falta são coisas diferentes, o que o maior estudo já feito encontrou no coração de usuários acompanhados por onze anos, o que acontece com as artérias e com a espessura do sangue, o que volta e o que não volta quando a pessoa para, quanto tempo a fertilidade leva para se recuperar, e o que o Conselho Federal de Medicina e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia já decidiram sobre isso no Brasil.
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DiabetesObesidadeMetabolismo21/08/2026Diabetes tipo 2: por que tratar o peso passou a ser parte do tratamento
A Sociedade Brasileira de Diabetes atualizou em 19 de agosto de 2026 a diretriz de tratamento do diabetes tipo 2, e a mudança principal é de alvo: cuidar da gordura corporal deixou de ser conselho de rodapé e virou recomendação formal, ao lado do controle da glicose. Explico o que a diretriz passou a recomendar e para quem, por que a gordura que se infiltra nos órgãos importa mais do que o número da balança, o que a perda de peso faz com o diabetes segundo os estudos, onde a evidência é forte e onde ela é mais dividida do que o noticiário sugere, o que acontece quando o remédio é interrompido, e a conversa que essa mudança traz para dentro da consulta.
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ObesidadeMetabolismo20/08/2026Lipedema ou obesidade? Por que as pernas não emagrecem junto com o resto
Lipedema é a doença do tecido gorduroso que mais se confunde com obesidade: atinge quase só mulheres, dói, deixa roxo fácil e resiste à dieta, e as duas podem existir ao mesmo tempo na mesma pessoa. Explico como ele se diferencia da obesidade e do linfedema no exame, o que aconteceu com a dor de 49 mulheres que perderam mais de 70 por cento do excesso de peso na cirurgia bariátrica, o que o tratamento conservador entrega de verdade, e por que o consenso brasileiro e a revisão internacional discordam sobre a ordem do tratamento e sobre quando considerar cirurgia, e por que as canetas de emagrecimento ainda não são resposta para isso.
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ObesidadeDiabetesMetabolismo19/08/2026Genérico da semaglutida aprovado: dá para trocar de caneta?
A Anvisa registrou em 17 de agosto de 2026 a primeira caneta genérica de semaglutida do país, mais uma versão similar. Explico o que muda de verdade: por que a palavra genérico não é detalhe burocrático e sim o que autoriza a farmácia a trocar, o que a agência exige para registrar uma cópia de peptídeo, o que os primeiros estudos comparativos mostraram, o que as três sociedades médicas brasileiras já disseram sobre isso, e os três detalhes práticos que quase ninguém leu na nota oficial: a indicação aprovada é diabetes tipo 2, a dose vai só até 1 miligrama por semana, e a caneta precisa ficar na geladeira do começo ao fim.
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DiabetesMetabolismoOsso18/08/2026Vitamina D reverte o pré-diabetes? O que a manchete deixa de fora
A notícia de que a vitamina D aumenta em 27% a chance de reverter o pré-diabetes circulou em vários sites nesta semana. Explico o que o estudo realmente mediu, por que 14 de cada 100 pessoas voltaram ao normal tomando só placebo, quantas precisam tomar o suplemento para uma se beneficiar, por que o maior ensaio isolado não encontrou efeito, onde as duas maiores diretrizes internacionais discordam entre si, por que a diretriz brasileira do pré-diabetes não cita vitamina D em nenhum ponto, e como eu decido isso junto com a pessoa no consultório.
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Menopausa17/08/2026Como saber se a menopausa já começou (e por que o exame de hormônio quase nunca responde)
Ciclo que muda de intervalo, calor que aparece à noite, sono que piora, e um exame de hormônio que volta normal. Explico por que a menopausa é um diagnóstico que só ganha data depois que passa, o que muda no ciclo e em que ordem, por que o hormônio dosado no meio da transição costuma não responder nada, em quais situações ele realmente ajuda, o que diz a diretriz brasileira, e quais sintomas têm ligação estabelecida com a transição e quais foram atribuídos a ela sem que os estudos sustentem.
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Tireoide16/08/2026Por que a dose do remédio de tireoide muda e por que o exame se repete tanto
Quem toma levotiroxina costuma estranhar duas coisas: a dose muda de tempos em tempos e o exame se repete sem parar. As duas têm explicação, e ela está na farmacologia do remédio, não em erro de quem prescreveu. Explico por que a espera é de 6 a 8 semanas, o que faz a necessidade de dose mudar ao longo da vida, o que o horário da tomada muda de verdade, o que atrapalha a absorção sem ninguém perceber, por que trocar de marca não é continuar o mesmo tratamento, e o que fazer quando o exame normaliza e a pessoa continua se sentindo mal.
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ColesterolMetabolismo15/08/2026Colesterol: por que a maioria dos infartos não acontece em quem tem o número mais alto
O risco do colesterol não tem degrau: ele sobe em rampa, sem faixa em que zere. Explico por que a maior parte dos infartos da população vem de quem tem colesterol apenas razoável, o que aconteceu com 36 mil pessoas classificadas como baixo risco, por que no Brasil a taxa de morte por colesterol alto caiu enquanto o número de mortes subiu, e o que isso muda na decisão de tratar ou esperar.
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OssoMenopausa15/08/2026Osteoporose: o que dá para fazer antes da primeira fratura
A osteoporose não dói, e o primeiro sinal costuma ser o osso quebrado. Explico como o osso se renova a vida inteira, quem precisa fazer densitometria, qual é o papel real do cálcio e da vitamina D, por que o exercício age sobre a queda e não só sobre o osso, e quando entra medicação, incluindo o que o SUS cobre.
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Menopausa13/08/2026Progesterona na reposição hormonal: micronizada, sintética ou DIU
Quem tem útero e usa estrogênio precisa de um progestagênio junto, e a escolha dele muda o risco de câncer de mama enquanto a via do estrogênio não muda. Explico o que cada forma protege de verdade, por que creme na pele não protege o útero, o que se sabe e o que se discute sobre o DIU de levonorgestrel, em que dose a progesterona sozinha alivia fogacho, e por que a micronizada é a minha escolha inicial.
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Menopausa13/08/2026Gel, adesivo, spray ou comprimido: como escolher a via da reposição hormonal
A via pela qual o estrogênio entra no corpo muda o risco de trombose e quase não muda o alívio do fogacho. Explico por que o comprimido passa primeiro pelo fígado e o gel não, por que nenhuma das duas vias é melhor em tudo, o que separa gel, adesivo e spray na prática, e por que se repõe estradiol e não estrona.
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DiabetesMetabolismo12/08/2026Diabetes e o rim: a complicação silenciosa que um exame de urina encontra anos antes
O rim é o órgão que o diabetes costuma machucar primeiro e avisar por último. Entre 20% e 40% das pessoas com diabetes desenvolvem doença renal, e no Brasil quase um terço de quem está em diálise tem diabetes. O que quase ninguém conta é que existe um exame de urina barato que encontra o problema anos antes de qualquer sintoma, e que a maioria das pessoas com diabetes nunca fez. Explico o que a albumina na urina significa, por que um resultado alterado precisa ser repetido, o que os quatro grupos de remédios que protegem o rim conseguem fazer, o que o SUS oferece hoje e o que ficou de fora, e por que a creatinina que sobe no começo do tratamento costuma ser boa notícia.
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Metabolismo11/08/2026Fadiga adrenal existe? O que o exame de cortisol mostra e o que ele não mostra
Fadiga adrenal não é diagnóstico reconhecido, e a revisão sistemática que foi checar isso é brasileira: de 3.470 trabalhos, 58 foram analisados, e os resultados se contradiziam sem sustentar a existência da condição. O cansaço, porém, é real e merece investigação de verdade. O ponto que quase ninguém explica é que o cortisol trabalha em turno, com valores altos pela manhã e baixos à noite, então uma medida isolada no sangue ou na saliva pode vir alta, normal ou baixa na mesma pessoa. A SBEM diz que esse exame não serve para medir estresse e não é exame de check-up. E o tratamento que costuma ser oferecido carrega uma ironia: corticoide em dose alta por tempo prolongado pode atrofiar as glândulas e produzir a insuficiência adrenal, que é a doença de verdade.
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Tireoide10/08/2026Tireoide na gravidez: quando o TSH alterado precisa de remédio (e quando não)
O TSH da gravidez não se lê pela tabela de sempre, e a diretriz internacional publicada em maio de 2026 mudou justamente a parte que mais gera tratamento desnecessário. O anticorpo anti-TPO saiu da decisão de tratar, e a recomendação agora é repetir o exame antes de começar qualquer remédio. Nos ensaios que testaram o tratamento do hipotireoidismo subclínico descoberto no meio da gravidez, o QI das crianças não mudou. E existe um cenário em que a pressa é real e quase ninguém trata com a urgência devida: a mulher que já tomava levotiroxina e acabou de engravidar, e que precisa aumentar a dose já nas primeiras semanas. A recomendação brasileira, da SBEM com a FEBRASGO, diverge da internacional em um ponto importante, e a divergência tem motivo declarado.
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Metabolismo09/08/2026Adoçante faz mal? O que os estudos mostram e o que eu oriento na consulta
A manchete de 2023 dizia que a Organização Mundial da Saúde desaconselhou adoçantes, e muita gente entendeu que era melhor voltar ao açúcar. A própria recomendação diz o contrário disso. Nos estudos em que as pessoas trocam açúcar por adoçante, o peso cai cerca de 1 kg, e a queda é proporcional à quantidade de açúcar substituída. Quando a comparação é com água, não há diferença nenhuma, o que revela de onde vem o benefício. As pesquisas que associam adoçante a diabetes e a problemas de coração têm um problema conhecido, que é quem já tem risco maior usar mais adoçante. Sobre o aspartame e o câncer, e sobre o eritritol e a trombose, os números ajudam mais que as manchetes.
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DiabetesMetabolismo08/08/2026Pré-diabetes: o que esse resultado quer dizer e quando entra remédio
Pré-diabetes assusta mais do que deveria e é levado a sério menos do que deveria, quase sempre ao mesmo tempo. O dado que muda a conversa é que, acompanhando quem tem o diagnóstico por dez anos, voltar ao normal foi cerca de três vezes mais comum do que progredir para diabetes. Isso não faz da faixa um lugar seguro: o risco sobe junto com a glicemia, sem esperar o corte de 126, e complicações de coração e de olho já aparecem em excesso antes do diagnóstico. Mudança de estilo de vida é o único tratamento que já provou reduzir infarto, complicação de rim e olho e mortalidade décadas depois. Entre os remédios, a metformina é a única com essa prevenção escrita em bula no Brasil, e as canetas têm os maiores números de prevenção já medidos, com uma condição que muda tudo.
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ObesidadeMetabolismo07/08/2026Bariátrica ou caneta de emagrecimento: como se escolhe entre as duas
A procura por cirurgia bariátrica caiu no Brasil desde que as canetas de emagrecimento viraram assunto, e a conta que sustenta essa mudança não fecha. Na vida real a cirurgia ainda tira duas a três vezes mais peso, e o que separa os dois caminhos aparece quando o tratamento termina. Cada um cobra um preço, e o da cirurgia é o que menos aparece nas comparações. Existem critérios objetivos para os dois no Brasil, e cada vez mais eles se somam em vez de competir.
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Endocrinologia pediátricaObesidadeMetabolismo06/08/2026Obesidade infantil: o que muda quando a conta é da família inteira
Uma em cada cinco crianças e adolescentes no Brasil já tem excesso de peso. O tratamento com melhor evidência não é uma dieta para a criança, é uma mudança que envolve a casa toda, e a quantidade de acompanhamento importa mais do que o método escolhido. Existem hoje dois medicamentos aprovados no Brasil a partir dos 12 anos, com critérios estreitos e uma regra de parada que pouca gente conhece.
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Gordura no fígadoMetabolismo05/08/2026Gordura no fígado: quando é só um achado e quando é problema
Gordura no fígado aparece em cerca de 1 a cada 3 adultos e quase nunca dá sintoma. O que decide o prognóstico não é a quantidade de gordura que o ultrassom descreve, é a cicatriz que ela pode ter deixado no fígado. Existe uma conta simples, feita com exames de sangue que você provavelmente já tem, que separa quem pode ficar tranquilo de quem precisa investigar mais.
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DiabetesObesidadeMetabolismo04/08/2026Caneta de emagrecimento em quem tem diabetes tipo 1: dá para usar?
Diabetes tipo 1 não é contraindicação das canetas de GLP-1: a lista de contraindicações da bula brasileira da semaglutida tem um item só, e não é esse. O medicamento trata a obesidade, não substitui a insulina. No estudo mais recente com semaglutida, a perda de peso foi de quase nove quilos e a dose diária de insulina caiu perto de um quarto. O medo de cetoacidose foi herdado de outra classe de remédios, e o risco real tem nome e situação.
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Tireoide03/08/2026Nódulo na tireoide: quando é motivo de preocupação (e quando não é)
Nódulo de tireoide é um dos achados mais comuns de ultrassom, e a grande maioria é benigna. Explico por que o exame acha tanto nódulo, o que o TSH e o ultrassom decidem juntos, qual o critério objetivo que indica punção, por que nódulo pequeno de aparência tranquila não se biopsia, e por que em alguns casos de câncer pequeno acompanhar é uma escolha legítima em vez de operar.
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InfertilidadeMetabolismo02/08/2026SOP agora é SOMP: por que a síndrome nunca foi só um problema de ovário
Um consenso internacional publicado em maio de 2026 propôs trocar o nome síndrome dos ovários policísticos por síndrome ovariana metabólica poliendócrina. Os critérios de diagnóstico continuam os mesmos. Explico o que o nome novo tenta corrigir, por que o ultrassom sozinho engana nos dois sentidos, o que a condição faz com a insulina mesmo em mulheres magras, e o que o tratamento resolve de fato.
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Saúde masculinaInfertilidade01/08/2026Testosterona: quem precisa repor de verdade (e o que o SUS passou a oferecer)
O SUS passou a oferecer testosterona injetável para uma indicação específica, e ao mesmo tempo cresce o uso do hormônio por homens que nunca fizeram o exame direito. Explico o que é falta de testosterona de verdade, como o diagnóstico se confirma segundo o posicionamento brasileiro, o que a reposição entrega e o que ela não entrega, o que o maior estudo de segurança mostrou sobre o coração, e o efeito que quase ninguém avisa: a queda na produção de espermatozoides.
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Osso31/07/2026Vitamina D: para que serve de verdade e quem precisa suplementar
A vitamina D virou um dos exames mais pedidos e um dos suplementos mais vendidos do país. Explico o que ela faz de verdade no corpo, por que ela não é bem uma vitamina, quem precisa dosar e quem não precisa, o que as sociedades brasileiras consideram normal (e onde elas discordam das internacionais), o que aconteceu quando estudos grandes testaram o suplemento em pessoas saudáveis, e por que tomar dose alta não protege mais.
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MenopausaInfertilidade30/07/2026Menopausa precoce: por que a reposição hormonal aqui segue outra lógica
Quando os ovários param de funcionar antes dos 40 anos, o quadro não é uma menopausa que chegou adiantada: é uma condição com nome próprio, a insuficiência ovariana prematura. E a conta de risco e benefício da reposição hormonal muda de sinal. Explico o que mudou no diagnóstico em 2025 (uma única dosagem de FSH passou a bastar na maioria dos casos), por que aqui a terapia hormonal é recomendada até a idade em que a menopausa aconteceria naturalmente, o que está em jogo para os ossos e para o coração, e por que os dados que assustaram uma geração inteira sobre reposição não se aplicam a esse caso.
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ObesidadeMetabolismo29/07/2026Obesidade é doença? O que muda com a nova diretriz brasileira
A nova diretriz brasileira trata a obesidade como doença crônica e progressiva, deixa de decidir tudo pelo IMC e permite começar o tratamento com medicação mais cedo. Explico o que isso muda na prática: por que a medida da cintura entrou na conta, o que os estudos mostram sobre o peso voltar quando o tratamento para, e por que a meta de perder pelo menos 10% importa mais pelos exames do que pela balança.
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ObesidadeMetabolismo28/07/2026Jejum intermitente funciona mesmo? O que os estudos mostram
O jejum intermitente é uma das estratégias mais populares para emagrecer, e também uma das mais cercadas de promessa. Explico o que a evidência randomizada mostra quando o jejum é comparado com a dieta tradicional de restrição de calorias: quanto peso ele realmente faz perder a mais, o que acontece com colesterol, triglicerídeos e glicemia, por que o efeito some nos estudos mais longos, e para quem essa estratégia costuma fazer sentido.
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Tireoide27/07/2026TSH alterado quer dizer que preciso tomar remédio de tireoide?
Um TSH um pouco acima do limite é um dos achados mais comuns em exames de rotina, e é também um dos que mais levam a tratamento desnecessário. Explico o que é o hipotireoidismo subclínico, por que um único exame alterado não fecha diagnóstico, o que os estudos mostram sobre a levotiroxina melhorar (ou não) os sintomas, quais situações realmente pedem tratamento e quando a conduta correta é repetir o exame e acompanhar.
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DiabetesObesidadeMetabolismo26/07/2026Diabetes tipo 2 tem cura? O que é remissão de verdade (e por que a diferença importa)
As redes sociais estão cheias de promessas de cura do diabetes tipo 2, e as sociedades médicas brasileiras vieram a público alertar sobre isso. A ciência tem uma resposta melhor e mais honesta: cura não, mas remissão sim, para uma parte das pessoas, com perda de peso estruturada. Explico o que é remissão pela definição aceita, quantos conseguem, quanto tempo costuma durar e por que continuar se acompanhando não é opcional.
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ColesterolMetabolismo25/07/2026Colesterol alto: quando é caso de remédio (e quando dá para começar pela mudança de hábito)
Descobriu o colesterol alto no exame e a primeira dúvida é se vai precisar tomar remédio para sempre. Explico o que realmente decide essa conversa: não é só o número do LDL isolado, e sim o seu risco cardiovascular somado. E respondo à pergunta que quase todo mundo faz no consultório: estatina causa dor muscular?
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ObesidadeMetabolismo24/07/2026Canetas de emagrecimento e massa muscular: você perde músculo? Como se proteger
Um consenso europeu reacendeu a dúvida de quem usa as canetas de emagrecimento: será que junto com a gordura eu estou perdendo músculo? Explico, com base na ciência, quanto de massa magra se perde de fato, por que essa proporção é parecida com a de qualquer emagrecimento grande, e o que realmente protege o seu músculo: comer proteína suficiente e fazer treino de força.
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DiabetesMetabolismo23/07/2026Insulina glargina e NPH: qual a diferença entre as duas
Não, glargina não é NPH nem insulina regular: é um análogo de ação prolongada, com outro tempo de ação no corpo. Explico a diferença entre as duas, se uma controla o diabetes melhor do que a outra (o controle da glicose é parecido) e onde está a vantagem real da glargina, que é a redução das hipoglicemias, principalmente as noturnas e as graves. Inclui o que muda com a oferta de glargina pelo SUS para crianças, adolescentes e idosos.
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Metabolismo22/07/2026Alimentos ultraprocessados fazem mal de verdade? O que a ciência mostra
Um estudo brasileiro estimou que os ultraprocessados estão por trás de cerca de 57 mil mortes precoces por ano no país. Mas o que a ciência realmente mostra sobre esses alimentos? Explico, sem terrorismo alimentar, por que o risco é real e graduado, o que ele significa para o diabetes e o coração, e o que dá para fazer na prática.
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Menopausa21/07/2026Reposição hormonal na menopausa faz mal? O que a ciência mostra hoje
Só 12% das brasileiras com sintomas de menopausa fazem reposição hormonal, e o medo de câncer de mama é uma das principais razões. Esse medo nasceu de um estudo de 2002 que foi mal interpretado. Explico o que a ciência realmente mostra hoje sobre riscos, benefícios e para quem a terapia faz sentido.
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ObesidadeDiabetesMetabolismo20/07/2026Ozivy, o 'genérico' do Ozempic: o primeiro semaglutida nacional é confiável?
O Ozivy, primeira semaglutida nacional (EMS), já está à venda no Brasil por cerca de metade do preço do Ozempic. Explico se dá para confiar, por que ele não é a mesma coisa que caneta manipulada, e um ponto que pouca gente sabe: ele é aprovado para diabetes, não para emagrecer.
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ObesidadeMetabolismo19/07/2026Canetas de emagrecer manipuladas: por que eu e as sociedades médicas alertamos
Me somo ao alerta da SBEM, SBD e ABESO sobre as canetas de emagrecer manipuladas e de origem alternativa. Explico o que a ciência mostra sobre os riscos e como usar o tratamento com segurança.
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