
Gel, adesivo, spray ou comprimido: como escolher a via da reposição hormonal
Em resumo: a via muda o risco e quase não muda o alívio. Na reunião de 15 estudos observacionais, o estrogênio oral (comprimido) apareceu com cerca de 60% mais trombose venosa e cerca de 100% mais trombose nas pernas que o estrogênio pela pele 2; no maior levantamento britânico, a via oral teve 58% mais trombose e a via pela pele não mostrou aumento nenhum 3. Para o fogacho as duas funcionam igual, então a escolha se decide por segurança e por rotina. Isso não faz da pele a melhor via em tudo: o comprimido é o que sobe mais o colesterol bom, o HDL, e reduz mais o ruim, o LDL, e melhora glicemia e insulina 1,7; e a via pela pele não existe para "poupar o fígado", que não é agredido por nenhuma das duas. Entre gel, adesivo e spray o que difere é o manejo, e o spray pede cuidado com o contato da pele com outra pessoa, com relatos de puberdade precoce em crianças expostas 13.
Por Dr. Márcio Gester, Endocrinologista, CRM-PA 14727, RQE 9424. Atualizado em 13/08/2026.
Quando a decisão de fazer reposição hormonal já está tomada, a pergunta que costuma me chegar é sobre qual remédio é o melhor. A que muda mais o risco quase nunca vem: por qual via o hormônio entra. Duas mulheres podem receber o mesmo estradiol, com o mesmo alívio de fogacho, e sair do consultório com riscos de trombose diferentes só por causa disso.
Este texto trata da metade estrogênica da decisão. Quem tem útero precisa de um progestagênio junto, e há uma situação em que ele é necessário mesmo sem útero, que é a endometriose com focos remanescentes 9. Essa é outra escolha, com outra lógica de risco, que separei em artigo próprio.
O fígado não é vítima, é o interruptor
Tudo o que se engole é absorvido pelo intestino e chega ao fígado antes de circular pelo corpo. O fígado processa parte da dose já nessa primeira visita, o que se chama primeira passagem. O estradiol que entra pela pele cai direto na circulação e chega ao fígado depois, diluído no resto do sangue.
Antes de seguir, preciso desfazer uma confusão que circula bastante, inclusive em material de divulgação: a via pela pele não existe para "poupar o fígado", e o estradiol em comprimido não faz mal ao fígado. O órgão não é agredido em nenhuma das duas vias, e essa não é a discussão. O que muda é outra coisa: é no fígado que se fabricam as proteínas da coagulação do sangue, e a produção delas responde à concentração de estrogênio que chega ali. Recebendo muita coisa de uma vez, ele produz mais dessas proteínas 1. A consequência aparece no sangue, não no órgão.
E esse mesmo interruptor liga coisas boas e coisas ruins ao mesmo tempo, o que é a razão pela qual nenhuma via ganha em tudo. Pela via oral sobem os fatores de coagulação e as proteínas ligadas à inflamação, e sobem um pouco os triglicerídeos; mas também sobe mais o colesterol HDL e cai mais o colesterol LDL do que pela pele 7. Não é uma diferença de potência do hormônio, é de rota, e ela tem dois sinais.
Onde a via muda o risco: trombose e derrame
A reunião de 15 estudos observacionais que compararam as duas vias encontrou, para quem usava comprimido em relação a quem usava adesivo ou gel, cerca de 60% mais chance de um primeiro episódio de trombose venosa e cerca de 100% mais chance de trombose nas veias das pernas. Para infarto não houve diferença entre as vias, e a confiança nessa evidência é baixa, porque nenhum estudo sorteou as mulheres entre as formas 2.
O maior levantamento sobre o assunto acompanhou registros de mais de 80 mil mulheres que tiveram trombose e quase 400 mil que não tiveram, e nele toda comparação é contra quem não usava reposição nenhuma. A via oral apareceu com 58% mais trombose, e a via pela pele não mostrou aumento algum. Dentro da via oral as combinações não são equivalentes: a pior foi estrogênio equino conjugado com medroxiprogesterona, com 100% a mais de risco, e a melhor foi estradiol com didrogesterona, com 18% a mais e sem diferença estatística 3. Um estudo francês de 2003, restrito a casos de trombose sem causa aparente, já tinha achado a mesma direção de forma mais marcada: 250% a mais com o comprimido e nenhum aumento com a pele 4.
Nesse levantamento britânico, 85% das mulheres que tiveram trombose e usavam reposição estavam na via oral, e os autores fecham o artigo dizendo que a via transdérmica é a mais segura e está subutilizada 3. Mais de vinte anos depois do estudo francês, a prescrição não acompanhou.
No derrame a dose importa mais que a via. Num estudo com quase 16 mil casos de acidente vascular cerebral, também contra quem não usava, o comprimido apareceu com 28% mais risco, o adesivo de dose baixa não aumentou o risco, e o adesivo de dose alta aumentou quase duas vezes, ficando acima até do comprimido 5. A vantagem da pele vale para a dose baixa, que é onde a maioria das mulheres deveria estar.
Nada disso valeria a pena se o sintoma não melhorasse, e na eficácia a comparação empata. Nas doses usuais, comprimido e pele aliviam fogacho e suor noturno da mesma forma, com melhora perceptível em torno de duas semanas; nas doses mais baixas o alívio pode levar até oito semanas para completar. Como a eficácia não separa as vias, o que sobra para decidir é segurança e rotina 1.
Nenhuma via é melhor em tudo
Se a conversa parasse na trombose, a conclusão seria simples e errada. A via oral tem vantagem própria, medida e nada desprezível: o estrogênio oral melhora o perfil de lipoproteínas, a glicemia e a insulina, e é ele, não a pele, que sobe mais o colesterol HDL e reduz mais o LDL 1,7.
| Via | O que tem a favor | O que tem contra |
|---|---|---|
| Comprimido | Sobe mais o HDL, reduz mais o LDL e melhora glicemia e insulina 1,7. Dose previsível, que não depende da pele, do suor nem da área usada. Não transfere hormônio para ninguém pelo contato. Costuma custar menos | Cerca de 60% mais trombose venosa que a pele 2 e 58% mais que não usar nada 3. Mais derrame 5. Sobe os triglicerídeos 7. Produz proporção de estrona alta demais 11 |
| Gel, adesivo ou spray | Não aumentou trombose em nenhum dos três levantamentos 2,3,4, nem derrame na dose baixa 5. Menos efeito sobre coagulação, inflamação e lipídios 1. Não sobe triglicerídeos e devolve a proporção fisiológica entre estrona e estradiol 11 | Absorção depende da pele e da área usada. Irritação de pele, e adesivo que descola com o atrito da roupa 12. Gel e spray transferem hormônio pelo contato 13. Na dose alta, o adesivo aumentou derrame 5. Perde o ganho extra de HDL e LDL 7. Costuma custar mais |
Nenhuma das duas colunas está vazia, e é exatamente por isso que a escolha é individual em vez de regra geral.
Há uma ressalva que quase sempre fica de fora quando se elogia o efeito lipídico da via oral: ele some em boa parte quando entra o progestagênio, e o progestagênio que menos apaga esse ganho é a progesterona micronizada 1. Ou seja, o benefício existe, mas depende do conjunto da receita, não só da via.
A diretriz brasileira transforma isso em conduta de um jeito bem direto: manda quantificar colesterol total e frações, triglicerídeos e glicemia de jejum justamente para escolher a via de administração 7. Na minha leitura, a divisão prática cai assim: triglicerídeos altos empurram para a pele, porque é a via oral que os eleva; colesterol LDL alto com triglicerídeos normais é o cenário em que a via oral tem um argumento real a favor. E, acima de tudo isso, história de trombose ou risco cardiovascular alto decide sozinha, sem consultar o perfil lipídico.
Por que estradiol, e por que não se repõe estrona
O estradiol é o estrogênio que o ovário produzia, e é ele que a diretriz brasileira lista como opção, na forma de 17-beta-estradiol ou de valerato de estradiol 7.
O estrogênio equino conjugado é outra coisa: uma mistura de estrogênios de origem animal, e não o hormônio humano. Ele tem a favor o maior banco de dados de longo prazo, porque foi o estrogênio dos grandes estudos americanos, e segue sendo uma escolha aceitável. Mas quando as duas formas foram comparadas de frente na via oral, o equino se associou a 100% mais trombose que o estradiol, e as usuárias de equino tinham exames de coagulação com maior tendência a coagular, o que dá coerência biológica ao achado 6. No levantamento britânico o estradiol também ficou melhor, sozinho e combinado 3.
A estrona é a peça que gera mais confusão, principalmente em quem recebeu um pedido de exame para dosá-la. Ela é um estrogênio fraco que vive em equilíbrio reversível com o estradiol, funcionando como reservatório circulante: o corpo converte um no outro conforme precisa, e depois da menopausa ela passa a ser o estrogênio predominante, produzida fora do ovário. Repor estrona não faz sentido por dois motivos. Dando estradiol, o corpo faz a estrona que precisar, na medida em que precisar. E quando o estradiol é engolido, boa parte dele já é convertida em estrona no intestino e no fígado, o que produz uma proporção de estrona alta demais em relação ao estradiol. Pela pele isso não acontece, e a bula do gel registra o ponto: na dose habitual, a proporção entre estrona e estradiol no sangue fica parecida com a de mulheres que ainda menstruam 11. A via pela pele não passa por essa conversão em massa e, de quebra, devolve a proporção fisiológica entre os dois hormônios.
Gel, adesivo e spray: o que muda de verdade
As três compartilham o mesmo mecanismo, que é escapar da primeira passagem pelo fígado 1. O que as separa é prático, e por isso essa escolha é boa de fazer junto com a paciente.
| Forma | Como se usa | O cuidado próprio dela |
|---|---|---|
| Gel (Oestrogel) | Todos os dias, no mesmo horário, na pele limpa e seca, espalhado no abdômen, coxas, braços, ombros ou região lombar. Não precisa massagear, e deve secar cerca de dois minutos antes de vestir a roupa 11 | Nunca nas mamas, em mucosa ou pele irritada. Se ficar pegajoso por mais de três minutos, a área usada foi pequena demais. Lavar as mãos depois, e não lavar o local da aplicação até uma hora 11 |
| Adesivo (Estradot) | Trocado duas vezes por semana, nos mesmos dois dias, na parte inferior do abdômen 12 | Evitar a linha da cintura, onde a roupa faz atrito e descola o adesivo. Nunca nas mamas. Alternar o local a cada troca 12 |
| Spray (Lenzetto) | Uma a três pulverizações por dia na parte interna do antebraço, deixando secar cerca de dois minutos 13 | Não lavar o local nem deixar ninguém tocá-lo por 60 minutos, e cobrir com roupa se alguém puder ter contato com aquela pele 13 |
As diferenças da tabela são de manejo, não de eficácia nem de risco cardiovascular: no mecanismo, as três compartilham a mesma vantagem sobre o comprimido 1.
O cuidado do spray não é intuitivo. A bula registra, a partir de dados de pós-comercialização, casos de crescimento de mama e nódulos mamários em meninas antes da puberdade, puberdade precoce, e aumento de mama e nódulos em meninos, depois de exposição secundária ao hormônio na pele de quem usou 13. Na vida real: se há criança pequena que dorme junto, pega no colo ou brinca agarrada ao seu braço, essa via pede disciplina com roupa e horário, ou pede outra via. Vale para o gel pela mesma razão, e é uma pergunta que eu faço antes de escolher a forma.
O que diz a diretriz brasileira sobre a via
A Diretriz Brasileira sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa de 2024 é um trabalho conjunto da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), da Associação Brasileira de Climatério (SOBRAC) e da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), e ela responde à pergunta deste artigo de forma bem concreta 7:
- Com pressão alta controlada e sintomas moderados a intensos, qualquer via pode ser usada, mas o estrogênio transdérmico deve ser preferido quando há obesidade, dislipidemia, diabetes ou síndrome metabólica.
- Para quem tem história prévia de trombose venosa, a via transdérmica é a recomendada, dependendo do fator que causou o evento.
- Não se recomenda reposição sistêmica para quem tem doença cardiovascular manifesta, infarto ou derrame prévios.
- Hormônios manipulados, os chamados bioidênticos de farmácia de manipulação, e implantes hormonais não são recomendados, por falta de evidência científica.
A diretriz não trata a via transdérmica como obrigatória para todas. Ela a torna preferencial nos cenários em que o risco de trombose e o desarranjo metabólico já pesam na conta, que é onde a diferença de rota deixa de ser teórica e passa a mudar desfecho.
Como eu escolho, na prática
Começo pela dose menor que resolve o sintoma e reavalio em algumas semanas, porque o alívio pode levar até dois meses para completar nas doses baixas 1. Duas perguntas mudam a via antes de qualquer preferência: houve trombose em você ou em parente de primeiro grau, e existe obesidade, diabetes, pressão alta ou triglicerídeos altos. Resposta sim em qualquer uma delas empurra para a pele. Sem nenhuma das duas, e com colesterol LDL alto, o comprimido volta a ser uma opção defensável.
Escolhida a via pela pele, a decisão entre gel, adesivo e spray é sua, e nesse ponto a evidência não elege vencedor: o que decide são coisas que nenhum estudo mede. Se lembrar de um gesto diário é mais fácil para você que lembrar de dois dias fixos na semana, o gel ou o spray ganham. Se você prefere não pensar no assunto todos os dias, o adesivo ganha. Se você não se conforma com um adesivo visível, ou com a marca que ele deixa, isso conta de verdade e não é vaidade. Se há criança pequena no seu colo com frequência, gel e spray exigem uma disciplina que talvez não caiba na sua rotina. Há também o preço, que varia entre as formas e não deveria ser tabu numa decisão que vai durar anos.
Minha preferência, quando nada empurra para um lado, é o gel, pela facilidade de ajustar a dose em frações. Isso não é a recomendação: é só a minha inclinação, e ela não deve pesar mais que a sua rotina.
A outra metade da decisão, o progestagênio que protege o útero, está aqui: https://drmarciogester.com.br/artigos/progesterona-reposicao-hormonal-micronizada-diu-sintetica/
Farmácia de manipulação: o que a Anvisa regula e o que muda para você
Falta uma decisão que quase nunca aparece nos textos e aparece muito no consultório: onde o medicamento é comprado. Em algumas situações eu prescrevo o estradiol, oral ou transdérmico, em farmácia de manipulação, por dois motivos concretos: baratear um tratamento que vai durar anos, e chegar a uma dose que não existe pronta nas apresentações registradas.
Começo desfazendo a ideia de que isso seja terra sem lei. Manipular é atividade regulada pela Anvisa, pela Resolução RDC nº 67, de 2007, que aprovou o regulamento de Boas Práticas de Manipulação e fixa os requisitos mínimos das farmácias, das instalações e do pessoal ao controle de qualidade da matéria-prima, com o objetivo declarado de garantir qualidade, segurança e efetividade da preparação. A mesma resolução classifica as farmácias em seis grupos conforme a complexidade do que manipulam e prevê penalidade quando há dano ao consumidor por desvio de qualidade na manipulação 14. Ou seja: existe norma, existe fiscalização, e existe consequência.
O que muda em relação à caixa pronta não é a existência de regra, é o tipo de garantia. O medicamento registrado passou por um processo de registro que avalia aquele produto específico; a preparação manipulada é feita sob receita e a garantia vem do cumprimento da norma pela farmácia que a preparou. Por isso a literatura sobre hormônios manipulados levanta preocupação quanto a pureza, potência e qualidade, e examina a variabilidade entre preparações 10. Na prática, isso significa que dois lotes da mesma receita podem não entregar exatamente a mesma quantidade de hormônio. O consenso do Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG) parte daí para dizer que a terapia hormonal manipulada não deve ser prescrita de rotina quando existe apresentação aprovada, e que, quando é usada, a paciente precisa saber que aquele produto não passou pela aprovação da agência e quais são os riscos próprios da manipulação 8.
Aqui entra a minha divergência, e eu prefiro declará-la a escondê-la. A diretriz brasileira não recomenda hormônio manipulado 7, mas na minha leitura o eixo que mais mexe no risco não é se a caixa é registrada, e sim qual molécula está dentro dela. Este artigo inteiro é feito desse argumento: o estrogênio equino se associou a 100% mais trombose que o estradiol na comparação direta 6, e no levantamento britânico o estradiol também saiu melhor 3. A conta que eu faço, então, é esta: uma reposição manipulada e barata com estradiol e progesterona micronizada me parece preferível a uma reposição de caixa pronta com estrogênio equino ou sintético e progestagênio sintético. Trocar a molécula certa pela caixa registrada é ganhar uma garantia de processo e perder uma vantagem de risco, e a segunda me parece maior.
Isso não é um cheque em branco, e daí saem três condições que eu faço questão de deixar escritas na receita. A farmácia precisa ser confiável, com controle de qualidade conferível, porque é o cumprimento da norma por ela que substitui a avaliação do registro. A dose precisa estar escrita. E o acompanhamento precisa ser mais próximo do que seria com o produto registrado: reavaliação mais cedo, atenção ao sintoma que volta sem explicação, que costuma ser o primeiro sinal de que o lote entregou menos do que devia, e disposição para trocar de farmácia ou voltar para a apresentação pronta se a resposta ficar inconstante. E vale a mesma fronteira de sempre: manipular não conserta uma via que não funciona, e o exemplo disso está no artigo do progestagênio.
Em resumo, o que eu diria numa consulta
A via do estrogênio é a decisão com melhor relação entre esforço e benefício da reposição hormonal inteira. Trocar comprimido por gel, adesivo ou spray não custa eficácia e retira da conta a maior parte do risco de trombose que assusta as pessoas quando o assunto aparece 2,3,4. Na dose baixa, a via pela pele também não aumentou derrame, o que não vale para a dose alta 5. Em troca, abre-se mão do efeito favorável do comprimido sobre colesterol, glicemia e insulina 1,7, e é por isso que a escolha é individual: quem tem risco de trombose ou triglicerídeos altos vai para a pele, e quem tem o colesterol como problema principal tem argumento para ficar no comprimido.
Repõe-se estradiol, o hormônio que o ovário fazia, e não estrona, que o corpo produz sozinho a partir dele 11. E o fígado não entra nessa conta como vítima: ele é o interruptor que responde à concentração que recebe, e a consequência aparece no sangue.
A frase para levar embora: depois que a decisão de repor já está tomada, o que mais muda o seu risco não é a marca do hormônio, é a via por onde ele entra, e a resposta muda conforme o que mais pesa no seu caso, trombose ou colesterol.
Se você já faz reposição e não sabe dizer por qual via está o seu estrogênio, essa é uma boa pauta para a próxima consulta.
Quando procurar um endocrinologista
Vale marcar uma avaliação se você tem sintomas de menopausa que atrapalham o sono, o trabalho ou a convivência e nunca discutiu reposição; se teve trombose, ou tem parente de primeiro grau que teve, e mesmo assim está no comprimido; se tem obesidade, diabetes, pressão alta ou triglicerídeos altos e nunca conversou sobre trocar a via; se usa hormônio manipulado ou implante e não sabe dizer a dose que está recebendo; se apareceu sangramento novo depois de meses sem sangrar; ou se suspendeu a reposição por medo sem ter conversado sobre qual era o seu risco de verdade. Nada aqui substitui a avaliação individual, e nenhuma conduta deve ser iniciada, alterada ou interrompida a partir da leitura de um texto na internet.
Conteúdo informativo, de caráter educativo. Não substitui a consulta médica, o exame clínico nem a orientação individual de quem acompanha o seu caso. Todos os medicamentos citados aqui têm critérios de indicação, contraindicações e necessidade de acompanhamento, e nenhum deve ser iniciado, ajustado, trocado de via ou suspenso por conta própria. Este texto compara vias de administração do estrogênio em mulheres com indicação já estabelecida de terapia hormonal; ele não discute para quem a reposição é indicada, não trata da escolha do progestagênio, de reposição em homens, de insuficiência ovariana primária, de estrogênio vaginal para sintomas locais, nem de alternativas não hormonais.
Se você tem dúvidas sobre a via da sua reposição hormonal, agende uma avaliação com um endocrinologista.
Leia também
Fontes científicas
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→ https://cr-net-public-prod.s3.amazonaws.com/product_leaflet/4E5FA51E77B74C054B8983097E1DB5C9.pdf - Bula para profissional de saúde do Lenzetto (estradiol em spray transdérmico, 1,53 mg por pulverização), Gedeon Richter do Brasil
→ https://www.gedeonrichter.com.br/wp-content/uploads/2025/03/bula_1738679402576-profissional.pdf - Resolução RDC nº 67, de 8 de outubro de 2007, da Anvisa (Boas Práticas de Manipulação de Preparações Magistrais e Oficinais para Uso Humano em farmácias), com as alterações da RDC nº 87/2008
→ https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2007/rdc0067_08_10_2007.html
Dúvidas dos leitores
Posso trocar o comprimido pelo gel por conta própria, se a via pela pele é mais segura?
Não, e não porque seja proibido pensar nisso, mas porque a troca não é de um para um. As doses não se equivalem entre as formas, o ajuste é feito pela resposta dos sintomas ao longo de semanas, e há situações em que a via oral continua sendo a melhor escolha, como quando o colesterol pesa mais na conta que o risco de trombose. A conversa vale a pena; a troca sem ela costuma terminar em sintoma voltando ou em dose maior que a necessária.
Eu passo o gel e depois pego meu neto no colo. Tem problema?
Tem, e esse é um cuidado pouco conhecido. A bula do estradiol em spray registra casos, vindos do acompanhamento pós-comercialização, de crescimento de mama e nódulos mamários em crianças que tiveram contato com a pele de quem aplicou, além de puberdade precoce. A conduta é simples e resolve: aplicar num horário em que a pele possa ficar coberta por roupa, deixar secar o tempo que a bula pede e não deixar ninguém encostar no local na primeira hora. Se a rotina não permite isso, o adesivo é uma via melhor para o seu caso.
Vou fazer uma cirurgia. Preciso avisar que uso reposição hormonal?
Precisa, e com antecedência. A bula do adesivo pede exatamente isso, avisar o médico sobre qualquer internação ou cirurgia planejada, porque o período de imobilidade em torno de um procedimento soma-se ao risco de trombose. Quem decide se suspende, quando suspende e se a via muda é a equipe que vai operar junto com quem acompanha a reposição, e essa é uma conversa para ter antes, não na véspera.
Tem uma dúvida sobre o tema? Escreva abaixo. As perguntas são lidas pelo Dr. Márcio e as selecionadas podem virar tema de novos textos (aparecem aqui sem identificar quem enviou). Não escreva dados pessoais ou de saúde que identifiquem você. Este espaço é educativo e não substitui uma consulta nem gera resposta médica individual.