
Vitamina D reverte o pré-diabetes? O que a manchete deixa de fora
Em resumo: entre pessoas com pré-diabetes, 14 de cada 100 voltaram a ter glicemia normal tomando placebo, e 18 de cada 100 voltaram tomando vitamina D. A diferença real são cerca de 4 pessoas em cada 100. Somando os estudos feitos para essa pergunta específica, é preciso tratar por volta de 30 pessoas durante três anos para evitar um caso de diabetes. O efeito existe, é pequeno e não substitui nada. As duas maiores diretrizes internacionais leem esse mesmo conjunto de dados e chegam a recomendações diferentes, e a diretriz brasileira do pré-diabetes não menciona vitamina D em nenhum ponto.
Por Dr. Márcio Gester · Endocrinologista · CRM-PA 14727 · RQE 9424 · atualizado em 19/08/2026
O que saiu na mídia
Entre 16 e 17 de agosto, veículos nacionais e paraenses publicaram versões da mesma notícia: a suplementação de vitamina D aumentaria em 27% a chance de reverter o pré-diabetes. As matérias descrevem corretamente a origem do dado, uma revisão que reuniu 10 ensaios clínicos com 4.478 adultos, e algumas trazem a ressalva de que o suplemento não substitui as medidas principais 1. Esse número existe, está no estudo e não foi inventado por ninguém. Ele só não quer dizer o que a maioria das pessoas entende ao ler.
O problema não está na notícia, está no que a expressão "27% mais chance" faz na cabeça de quem lê. Ela soa como se, de cada 100 pessoas que tomam, 27 voltassem ao normal. Não é isso. É uma comparação entre duas chances que já eram parecidas, e a distância entre elas é bem menor do que o número sugere.
Antes do suplemento: parte das pessoas volta ao normal sem tratamento nenhum
O dado que reorganiza a leitura do estudo inteiro está no grupo que não recebeu vitamina D. Entre as 2.225 pessoas que tomaram placebo, 312 voltaram a ter glicemia normal, ou seja, 14 de cada 100 1.
O pré-diabetes não é uma esteira de mão única em direção ao diabetes. Ele é um estado instável, e uma parcela das pessoas sai dele espontaneamente, por variação natural da própria glicemia, por mudanças de peso e de rotina que aconteceram sem ninguém prescrever, e às vezes porque o exame que rotulou o pré-diabetes já era um dia atípico.
É contra esse fundo que qualquer tratamento é medido. Quando um estudo diz que um suplemento "reverte o pré-diabetes", a pergunta que importa não é se as pessoas melhoraram, e sim quantas melhoraram além das que já iam melhorar de qualquer maneira.
O que o estudo realmente mediu
No grupo que recebeu vitamina D, 416 de 2.253 pessoas voltaram a ter glicemia normal, ou seja, 18 de cada 100. No grupo placebo foram 14 de cada 100 1.
A diferença é de aproximadamente 4 pessoas em cada 100. O "27%" da manchete é o resultado de dividir uma dessas chances pela outra, e é assim que uma diferença de 4 pontos ganha a aparência de algo muito maior. Os dois números descrevem os mesmos dados; só um deles diz ao leitor o que esperar.
A revisão tem qualidades reais que merecem registro: os 10 ensaios apontaram na mesma direção e praticamente não houve discordância entre eles 1. A duração variou de seis meses a cinco anos, e a idade média das populações estudadas foi de 20 a 74 anos, então o achado não vem de um grupo estreito 1. Uma segunda revisão, independente e com 11 ensaios, encontrou tamanho de efeito muito próximo, tanto para o retorno ao normal quanto para a redução de casos novos de diabetes 8.
Chegar à consulta com um exame de vitamina D já feito por outro motivo é comum, e a pergunta que vem junto costuma ser prática: tomo ou não tomo? Com essa notícia circulando, eu espero que ela passe a aparecer nessa conversa nas próximas semanas, trazida por alguém da família. A resposta honesta começa admitindo que o efeito existe. Ela continua dizendo o tamanho dele.
Por que o maior ensaio isolado não encontrou efeito
O maior estudo individual desse conjunto acompanhou 2.423 pessoas com pré-diabetes, sorteadas para receber 4.000 unidades internacionais de vitamina D por dia ou um placebo de aparência idêntica, sem princípio ativo, sem que ninguém soubesse quem estava em qual grupo. O detalhe decisivo é que as pessoas entraram independentemente do nível de vitamina D que tinham no sangue, e a média inicial era de 27,7 nanogramas por mililitro, valor que a maioria dos laboratórios já considera suficiente 3.
Depois de dois anos e meio em média, houve 293 casos de diabetes no grupo da vitamina D e 323 no grupo do placebo. A diferença não se firmou: ficou dentro da faixa que o próprio estudo considera compatível com o acaso 3. A conclusão dos autores é explícita nesse ponto, e diz que em pessoas de alto risco não selecionadas por deficiência de vitamina D, a dose de 4.000 unidades por dia não reduziu o risco de forma significativa 3.
Isso não anula a revisão da manchete. Explica de onde ela vem. Um efeito pequeno some no ruído de um estudo só e aparece quando se juntam vários, e é exatamente esse o tipo de achado que precisa ser apresentado com o tamanho ao lado.
Dentro desse mesmo ensaio, uma análise restrita a quem tomou conforme o combinado encontrou mais retorno à glicemia normal no grupo da vitamina D 7. É um resultado coerente com a revisão, e ao mesmo tempo um resultado a se tratar com reserva: olhar só para quem adere desmancha em parte o sorteio, porque quem toma remédio com regularidade tende a cuidar melhor de outras coisas também.
Quantas pessoas precisam tomar para uma se beneficiar
Existe um segundo conjunto de dados, mais rigoroso para essa pergunta específica: uma análise que reuniu os dados individuais dos três ensaios desenhados de propósito para testar vitamina D na prevenção do diabetes, com 4.190 participantes 2.
O resultado, traduzido para o que a pessoa quer saber: em três anos, a suplementação evitou o diabetes em 3,3 de cada 100 pessoas tratadas 2. Em outras palavras, cerca de 30 pessoas precisam tomar vitamina D por três anos para que uma delas não desenvolva diabetes nesse período. As outras 29 tomam sem que o desfecho mude.
Esse número é o que permite comparar honestamente com o que já existe. A diretriz brasileira do pré-diabetes registra que a metformina, usada em média por três anos, evitou um caso novo de diabetes para cada 7 a 14 pessoas tratadas, e classifica a mudança de estilo de vida no grau mais alto de recomendação que ela usa 10. Nenhuma das duas medidas é vitamina D.
Quando eu ponho as três medidas lado a lado, o que eu vejo não é um suplemento inútil. É um suplemento que ocupa o último lugar de uma fila de três, e a fila importa: quem sai da consulta tomando vitamina D e nada mais escolheu, sem saber, a opção mais fraca das que estavam disponíveis.
O detalhe do nível no sangue, e por que ele não prova o que parece
Dentro do grupo que recebeu vitamina D, quem manteve o nível no sangue acima de 50 nanogramas por mililitro ao longo do estudo teve muito menos diabetes do que quem ficou na faixa de 20 a 29. A diferença aqui é grande: 18 casos de diabetes a menos em cada 100 pessoas, ao longo de três anos 2. Uma análise do maior ensaio na mesma direção mostrou que o risco caía conforme o nível alcançado subia 6.
É um sinal biológico interessante, e é tentador concluir que basta buscar níveis altos. O problema é o desenho: essa comparação não é entre grupos sorteados. Ela compara pessoas que, tomando a mesma dose, alcançaram níveis diferentes, e o que faz alguém alcançar nível mais alto pode ser justamente o que também protege do diabetes, como peso menor, mais atividade física ou melhor absorção intestinal. A própria análise de dados individuais registra que o efeito da vitamina D não diferiu nos subgrupos que os autores tinham definido antes de olhar os resultados 2.
Ou seja: a hipótese de que existe um nível-alvo a perseguir nasceu desses dados, e não foi testada por eles. Ainda é hipótese, e as revisões mais recentes do tema a tratam exatamente assim 9.
Onde as duas maiores diretrizes discordam
Duas instituições de peso olharam o mesmo conjunto de estudos e saíram com recomendações diferentes, e eu acho isso mais informativo do que qualquer uma delas isolada.
A diretriz da Endocrine Society de 2024 sugere a suplementação de vitamina D, somada à mudança de estilo de vida, para adultos com pré-diabetes de alto risco. É uma recomendação condicional, com certeza moderada, e ela vem acompanhada de duas observações que costumam passar em branco: a diretriz sugere não usar o exame de vitamina D para decidir se suplementa nem para definir a dose, e não conseguiu recomendar uma dose específica, porque os ensaios usaram doses muito diferentes entre si 4.
Os Standards of Care da Associação Americana de Diabetes de 2026 leem o mesmo material e não endossam o uso amplo. O documento reconhece a redução modesta do risco, mas considera a relação entre benefício e risco ainda incerta, e chama atenção para o que aconteceria ao tratar milhões de pessoas com doses não padronizadas e sem acompanhamento: aumento de cálcio no sangue e na urina, pedras nos rins e perda de função renal. Registra também que, nos Estados Unidos, nenhum medicamento tem aprovação da agência reguladora para a finalidade de prevenir diabetes, e que a decisão deveria ser individualizada e compartilhada com a pessoa 5.
Divergência entre diretrizes desconforta, e eu prefiro apresentá-la do que escolher uma e apagar a outra. Ela diz algo verdadeiro sobre o estado da evidência: o efeito é real o suficiente para uma instituição sugerir, e pequeno o suficiente para a outra não recomendar em escala.
O que diz a diretriz brasileira
A camada brasileira desse assunto é mais direta do que eu esperava. O capítulo de tratamento farmacológico do pré-diabetes da diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes discute metformina, acarbose, pioglitazona e orlistat, com grau de recomendação para cada um, e não menciona vitamina D em nenhum ponto do texto 10.
Isso não é a sociedade brasileira dizendo que a vitamina D não funciona. É ela ainda não tendo se pronunciado sobre essa indicação, o que é diferente e precisa ser dito com essa palavra. Na prática, para quem se trata no Brasil, o resultado é o mesmo: não existe hoje recomendação nacional de suplementar vitamina D com o objetivo de prevenir diabetes.
Há aqui uma diferença nacional que vai na direção contrária do que se imaginaria. A metformina (Glifage) tem a prevenção do diabetes tipo 2 escrita como indicação registrada na bula brasileira, em pessoas com pré-diabetes, sobrepeso e ao menos um fator de risco adicional, e depois de a mudança de hábitos sozinha não ter bastado 11. Ou seja, o país que não tem recomendação para vitamina D nessa finalidade tem, para outro medicamento, um registro de prevenção que os Estados Unidos não têm.
Vale acrescentar uma limitação geográfica que quase nunca aparece. Os três ensaios feitos de propósito para essa pergunta foram conduzidos na Noruega, nos Estados Unidos e no Japão 2. O ensaio japonês, além disso, não usou a vitamina D que se compra na farmácia daqui, e sim um análogo ativo, uma molécula diferente 2. Nenhum deles foi feito numa população como a nossa, com a exposição solar e o padrão alimentar que a gente tem em Belém, e essa lacuna é motivo para cautela, não para descarte.
Segurança: o que os ensaios viram, e o que eles não tinham tamanho para ver
Nos três ensaios dedicados, não houve diferença detectável entre vitamina D e placebo em pedras nos rins, cálcio alto no sangue, cálcio alto na urina ou mortes 2. Essa é a boa notícia, e ela vale para as doses testadas ali: nos dois ensaios que usaram a vitamina D comum, o equivalente a algo entre 2.900 e 4.000 unidades por dia, e no terceiro um análogo ativo em dose própria, que não se converte nessa medida 2,3.
A ressalva vem do próprio artigo, e é importante: os autores registram que os ensaios podem não ter tido tamanho suficiente para detectar diferenças nos desfechos de segurança 2. Ausência de sinal em estudo com poucos eventos não é o mesmo que ausência de risco, e é por isso que a preocupação registrada pela diretriz americana continua legítima, sobretudo se o assunto sair da faixa testada e virar dose alta por conta própria e por tempo indeterminado 5.
A pergunta que eu faço na consulta, quando alguém me diz que vai começar, é quanto exatamente pretende tomar e por quanto tempo. É a resposta a essa pergunta, e não o suplemento em si, que separa o cenário estudado do cenário que não foi estudado por ninguém.
Existe ainda um ponto sobre o qual há pouca dúvida: o efeito acompanha o uso. A diretriz americana registra que agentes de prevenção provavelmente precisam ser mantidos a longo prazo, porque o efeito se desfaz quando param, e a análise por nível alcançado é coerente com isso, já que o nível no sangue cai depois que a suplementação termina 5,6. Não há demonstração de proteção que permaneça após parar. Quem começa com essa finalidade está considerando um uso continuado, não um ciclo.
A decisão é sua, e ela depende do que nenhum estudo mede
Esse é um daqueles temas com mais de um caminho legítimo, e eu prefiro colocar as duas opções na mesa com o preço de cada uma.
Tomar significa aceitar um comprimido a mais na rotina, por tempo indefinido, por um benefício que em três anos se materializa em cerca de 1 pessoa a cada 30, com segurança tranquilizadora nas doses estudadas e desconhecida acima delas. Poupa a sensação de não estar fazendo nada com um resultado de exame que incomoda, e, para quem já toma vitamina D por osteoporose ou por deficiência documentada, não acrescenta praticamente nada de novo.
Não tomar significa concentrar esforço e atenção no que tem o efeito maior, que é peso e atividade física, e aceitar que você deixou de lado um ganho pequeno mas mensurável. Poupa custo, poupa a lista de medicamentos e poupa o risco de o suplemento virar, com o tempo, a única coisa que sobrou do plano.
O que nenhum dos estudos mede é o que decide de fato: se um comprimido diário te dá senso de controle ou te dá a sensação de estar doente; se o dinheiro do suplemento faz falta em outro lugar; se você é do tipo que, tendo uma medida "ativa" em andamento, relaxa nas outras; e quanto o seu resultado de glicemia realmente te preocupa quando você pensa nele à noite. Eu não tenho como saber nada disso do outro lado da mesa.
Minha inclinação pessoal, quando não há outra indicação para o suplemento, é não começar por ele, e sim gastar a consulta inteira no que rende mais. Essa é a minha inclinação, e não é a recomendação: a diretriz internacional que sugere suplementar nesse cenário é séria, e quem escolhe começar está dentro de um caminho defensável.
Em resumo, o que eu diria numa consulta
A vitamina D provavelmente ajuda um pouco a glicemia de quem tem pré-diabetes, e "um pouco" é o adjetivo honesto: 4 pessoas a mais em cada 100 voltando ao normal, e cerca de 1 caso de diabetes evitado a cada 30 pessoas tratadas por três anos. Nas doses estudadas, da ordem de 3.000 a 4.000 unidades por dia, os ensaios não mostraram aumento de pedra nos rins nem de cálcio alto, embora não tenham sido feitos para responder isso com segurança. O efeito acompanha o uso e não sobra depois que se para. Não há recomendação brasileira para essa finalidade, e as duas maiores diretrizes internacionais discordam entre si.
O risco prático desse assunto não é o suplemento fazer mal. É ele ocupar o lugar do que funciona mais. Se você tem pré-diabetes e sair desta leitura fazendo uma única coisa, que seja a que a diretriz brasileira coloca no grau mais alto: mexer no peso e na atividade física. A vitamina D pode vir depois, somando, e conversada com quem acompanha você.
Se o seu exame veio alterado e você está tentando descobrir por conta própria o que fazer com esse resultado, essa é uma decisão que você não precisa tomar sozinho.
Quando procurar um endocrinologista
Vale marcar avaliação se a glicemia de jejum veio entre 100 e 125 miligramas por decilitro, se a hemoglobina glicada veio entre 5,7 e 6,4%, ou se o exame de duas horas após a sobrecarga de glicose ficou entre 140 e 199 miligramas por decilitro, porque essas três faixas definem pré-diabetes e a conduta muda conforme qual delas está alterada e quanto. Procure também se você já tem resultado alterado há mais de um ano sem nenhum plano em andamento, se ganhou peso desde o último exame, se tem pressão alta ou colesterol alterado junto, se já tem alguém de primeiro grau com diabetes, ou se está tomando vitamina D em dose alta por conta própria e não sabe até quando. E procure antes se a glicemia de jejum passou de 126 miligramas por decilitro ou a glicada passou de 6,5%, porque aí não se trata mais de pré-diabetes. Este texto orienta e não prescreve: nada aqui substitui a avaliação de quem examina você e vê seus exames completos.
Conteúdo informativo, de caráter educativo. Não substitui a consulta médica, o exame clínico nem a avaliação individual. Este texto trata da suplementação de vitamina D com a finalidade de prevenir diabetes tipo 2 em adultos com pré-diabetes, e não cobre o tratamento da deficiência de vitamina D, o uso em osteoporose ou em doença renal, nem o manejo do diabetes já estabelecido. Doses de vitamina D não devem ser iniciadas nem alteradas por conta própria.
Se você tem pré-diabetes ou recebeu um resultado de glicemia alterado e quer entender o que ele significa no seu caso, agende uma avaliação com um endocrinologista.
Leia também
Fontes científicas
- Kretschmer P, Balk E, Pittas A. Effect of vitamin D on regression to normal glucose regulation in adults with prediabetes. J Endocr Soc. 2025;9(5):bvaf042. doi:10.1210/jendso/bvaf042.
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→ https://doi.org/10.1016/j.metabol.2026.156566 · PubMed 41707752 - Sociedade Brasileira de Diabetes. Tratamento farmacológico do pré-diabetes. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, edição 2025
→ https://diretriz.diabetes.org.br/tratamento-farmacologico-do-pre-diabetes/ - Bula profissional da metformina (Glifage), Merck (seção de indicações conferida: prevenção do diabetes tipo 2 em pré-diabetes com sobrepeso, ao menos um fator de risco adicional e falha da mudança intensiva de estilo de vida)
→ https://uploads.consultaremedios.com.br/drug_leaflet/pro/Bula-Glifage-Profissional-Consulta-Remedios.pdf
Fontes jornalísticas
- DOL Diário Online (Belém). Vitamina D pode ajudar a reverter o pré-diabetes; veja detalhes → https://dol.com.br/noticias/te-cuida/959959/vitamina-d-pode-ajudar-a-reverter-o-pre-diabetes-veja-detalhes
- Folha de Boa Vista. Vitamina D pode aumentar em 27% a chance de reverter o pré-diabetes, aponta estudo → https://www.folhabv.com.br/saude-e-bem-estar/vitamina-d-pode-aumentar-em-27-a-chance-de-reverter-o-pre-diabetes-aponta-estudo/
Dúvidas dos leitores
Se eu tomar vitamina D, posso deixar a caminhada e a dieta em segundo plano?
Não, e essa é a troca que mais me preocupa nesse assunto. Nos estudos, a vitamina D foi testada por cima do cuidado habitual, nunca no lugar dele, e o efeito que ela mostrou é pequeno. A mudança de peso e de atividade física é a única medida que a diretriz brasileira do pré-diabetes classifica no grau mais alto de recomendação. Se o suplemento entrar na sua rotina, ele entra somando. No dia em que ele passar a substituir, você trocou o tratamento forte pelo fraco.
Preciso dosar a vitamina D no sangue antes de começar?
A diretriz internacional que sugere a suplementação nesse cenário sugere justamente o contrário: não usar o exame para decidir se suplementa nem para escolher a dose, porque os estudos não estabeleceram um valor-alvo que sirva para esse objetivo. Isso surpreende muita gente, porque no Brasil o exame é pedido com frequência. Continua fazendo sentido dosar quando existe outro motivo clínico para isso. O que não se sustenta é usar o resultado como se ele dissesse quanto você precisa tomar para prevenir diabetes.
Tem uma dúvida sobre o tema? Escreva abaixo. As perguntas são lidas pelo Dr. Márcio e as selecionadas podem virar tema de novos textos (aparecem aqui sem identificar quem enviou). Não escreva dados pessoais ou de saúde que identifiquem você. Este espaço é educativo e não substitui uma consulta nem gera resposta médica individual.